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Abraão, Sara e o problema da interpretação humanista

  • Foto do escritor: Gile
    Gile
  • 11 de jan. de 2023
  • 11 min de leitura

Atualizado: 20 de jan. de 2023



E aconteceu que, chegando ele para entrar no Egito, disse a Sarai, sua mulher: Ora bem sei que és mulher formosa à vista; E será que, quando os egípcios te virem, dirão: Esta é a sua mulher. E matar-me-ão a mim, e a ti te guardarão em vida. Dize, peço-te, queés minha irmã, para que me vá bem por tua causa, e que viva a minha alma por amor de ti. E aconteceu que, entrando Abrão no Egito, viram os egípcios a mulher, que era mui formosa. E viram-na os príncipes de Faraó, e gabaram-na diante de Faraó; e foi a mulher tomada para a casa de Faraó. E fez bem a Abrão por amor dela; e ele teve ovelhas, e vacas, e jumentos, servos e servas, e jumentas, e camelos. Feriu, porém, o Senhor a Faraó com grandes pragas, e a sua casa, por causa de Sarai, mulher de Abrão. Então chamou Faraó a Abrão, e disse: Que é isto que me fizeste? Por que não me disseste que ela era tua mulher? Por que disseste: É minha irmã? de maneira que a houvera tomado por minha mulher; agora, pois, eis aqui tua mulher; toma-a e vai-te. E Faraó deu ordens aos seus varões a seu respeito, e acompanharam-no a ele, e a sua mulher, e a tudo o que tinha. (Gênesis 12.11-20 – ARC 1969)

Esse texto de Gênesis costuma chamar atenção do leitor das sagradas escrituras pelo aparente curioso pedido de Abrão a Sarai, sua esposa. Ao aproximar-se do Egito, fugindo da fome em Canaã, pede a Sarai que se identifique perante os egípcios como sua irmã. O pedido parece estranho, mas ele justifica tal pedido:

E será que, quando os egípcios te virem, dirão: Esta é a sua mulher. E matar-me-ão a mim, e a ti te guardarão em vida. Dize, peço-te, que és minha irmã, para que me vá bem por tua causa, e que viva a minha alma por amor de ti

O mais interessante é que a justificativa de Abrão não envolvia qualquer fundo de verdade, ele não interpela à Sarai que o chame de irmão por serem meios-irmãos ou guardarem qualquer laço de consangüinidade. Ele não apela a qualquer conexão sangüínea para justificar seu pedido. E, se tal consangüinidade existia, por que Abrão não apelou a ela para convencer Sarai? Pelo contrário, ele implora a ela que aceite sua mentira a fim de que ele mesmo permaneça vivo:

Dize, peço-te, que és minha irmã (Gn 12.13 – ênfase nossa).

Não era comum, naquele tempo, que um homem implorasse algo à sua mulher. Observe nas páginas da Bíblia Sagrada e procure, você mesmo, por outro episódio no Antigo Testamento em que o marido implora algo à sua esposa.

Aí começa a estranha história de mentira que Abrão alimentou reiteradas vezes. Sim, ele fez a mesma coisa em outro episódio, que comentaremos mais adiante.

O mais interessante é que ao observar a história da união entre Abrão e Sarai não vemos qualquer descrição de consangüinidade entre eles. Veja:

E viveu Terá setenta anos, e gerou a Abrão, a Naor, e a Harã. E estas são as gerações de Terá: Terá gerou a Abrão, a Naor, e a Harã; e Harã gerou a Ló. E morreu Harã estando seu pai Terá ainda vivo, na terra do seu nascimento, em Ur dos Caldeus. E tomaram Abrão e Naor mulheres para si: o nome da mulher de Abrão era Sarai, e o nome da mulher de Naor era Milca, filha de Harã, pai de Milca, e pai de Iscá. E Sarai foi estéril, e não tinha filhos. E tomou Terá a Abrão seu filho e a Ló filho de Harã, filho de seu filho e a Sarai sua nora, mulher de seu filho Abrão e saiu com eles de Ur dos Caldeus, para ir à terra de Canaã; e vieram até Harã, e habitaram ali. E foram os dias de Terá duzentos e cinco anos; e morreu Terá em Harã. (Gn 11.26-32)

Preste atenção no fato de que Milca e Iscá tem o nome de seu pai, bem como dos ascendentes deste, referido no texto. Mas, Sarai não. Curioso, não é mesmo? Alguns podem dizer que era comum mulheres não terem sua ascendência descrita, mas isso não é verdade. Todos os indivíduos que possuíam um grau mínimo de relevância na história citada, tiveram sua genealogia descrita – isso inclui Milca, Iscá, Rebeca e muitas outras mulheres. Portanto, não é verdade que as mulheres não tinham sua genealogia descrita. Os homens e mulheres, que não exerciam um papel relevante na história principal narrada, não tinham seus ancestrais citados – e isso inclui igualmente homens e mulheres. Então, por que Sarai não tem sua ascendência descrita? Possivelmente, pelo mesmo motivo que Melquisedeque (Hb 7.1-3; Gn 14.18). Nada na Escritura é posto por acaso. Deus tem profundas lições a ensinar aos que tiverem “ouvidos para ouvir” (Mt 11.15; 13.9; Mc 4.23; 7.16; Lc 4.9; Lc 8.8; 14.35; Ap 2.7,11; 3.6,13,22; 13.9), e isso não se aprende em um seminário teológico ou universidade. A academia não pode transmitir esses ensinos, pois quem os faz é o Espírito Santo (João 14.15-26; 1 Jo 2.27). Não se esqueça, este não é um livro comum, mas contém a palavra de Deus (2 Tm 3.14-17; 2 Pedro 1.19-21).

Pois bem, conhecendo a descrição bíblica do casamento de Abrão e Sarai e do aparente estranho caso da mentira abraâmica, passemos à análise do segundo episódio em que Abrão solicita à sua esposa apresentar-se como sua irmã. Vejamos:

E partiu Abraão dali para a terra do sul, e habitou entre Cades e Sur; e peregrinou em Gerar. E havendo Abraão dito de Sara sua mulher: É minha irmã, enviou Abimeleque, rei de Gerar, e tomou a Sara. Deus porém veio a Abimeleque em sonhos de noite, e disse-lhe: Eis que morto és por causa da mulher que tomaste; porque ela está casada com marido. Mas Abimeleque ainda não se tinha chegado a ela; por isso disse: Senhor, matarás também uma nação justa? Não me disse ele mesmo: É minha irmã? e ela também disse: É meu irmão. Em sinceridade do coração e em pureza das minhas mãos tenho feito isto. E disse-lhe Deus em sonhos: Bem sei eu que na sinceridade do teu coração fizeste isto; e também eu te tenho impedido de pecar contra mim; por isso te não permiti tocá-la; Agora pois restitui a mulher ao seu marido, porque profeta é, e rogará por ti, para que vivas; porém se não lha restituíres, sabe que certamente morrerás, tu e tudo o que é teu. E levantou-se Abimeleque pela manhã de madrugada, chamou a todos os seus servos, e falou todas estas palavras em seus ouvidos; e temeram muito aqueles varões. Então chamou Abimeleque a Abraão e disse-lhe: Que nos fizeste? e em que pequei contra ti, para trazeres sobre mim e meu reino tamanho pecado? Tu me fizeste aquilo que não deverias ter feito. Disse mais Abimeleque a Abraão: Que tens visto, para fazeres tal coisa? E disse Abraão: Porque eu dizia comigo: Certamente não há temor de Deus neste lugar, e eles me matarão por amor da minha mulher. E, na verdade, é ela também minha irmã, filha de meu pai, mas não filha da minha mãe; e veio a ser minha mulher. E aconteceu que fazendo-me Deus sair errante da casa de meu pai, eu lhe disse: Seja esta a graça que me farás em todo o lugar aonde viermos: dize de mim: É meu irmão. (Gênesis 20.1-13)

Aqui, aqueles cuja atividade acadêmica seca os guia, tem ampla margem para suas ilações. O devaneio dos “doutores em divindade” sente-se livre para flutuar nestes versos de Gênesis. Mas, os espirituais, guiados pelo Espírito da Verdade, ouvirão apenas à voz do bom pastor (Jo 10.1-17).

Como anteriormente descrito, a afirmação de Abraão soa estranha por alguns motivos: (1) não há qualquer citação de outra fonte, exceto do próprio Abraão, corroborando sua consangüinidade com Sara; (2) os episódios onde Abraão apresenta Sara como “irmã” são marcados pelo falhanço da fé do patriarca, portanto, devem-nos despertar ceticismo quanto à veracidade da história contada por Abraão; (3) o incesto era algo abominável já naquele tempo, e a própria Escritura o reprova na descrição do incesto das filhas de Ló (Gn 19.30-38) – o pecado contra a lei espiritual de Deus é atemporal, pois a própria lei espiritual de Deus o é, e antecede a lei ritual/religiosa do pentateuco; (4) o termo usado como “irmã” no original (ach) poderia significar muitas coisas – inclusive uma relação de amizade, irmandade ou mesmo mera similitude de idéias desprovida de consangüinidade [Dicionário Bíblico de Strong. 2002, 0251]; (5) independente de como entenderam Abimeleque e Faraó, a intenção de Abraão era clara – enganar seus ouvintes, intentava confundi-los, pelo que essa fala dele quanto a sua relação de suposta consangüinidade com Sara não deve ser tomada literalmente; (6) Abraão pode, e provavelmente estava, “brincando” com os diversos significados da palavra ach (traduzida em Gn 12 e 20 como “irmã”) para, intencionalmente, confundir Faraó e Abimeleque – fato é que ambos não acharam graça na “piada” e acabaram por enviar Abraão para longe de si, considerando-o não confiável – a mentira cobra seu preço; (7) a descrição de Abraão a respeito de sua relação com Sara aqui é confusa e não se coaduna com a descrição que a própria Bíblia faz dela e do próprio Abraão quanto a caráter.

Com todos esses pontos em mente, torna-se claro que a interpretação literal de consangüinidade entre Abraão e Sara é equivocada. E nos faria incorrer no mesmo erro de interpretação no qual Faraó e Abimeleque foram induzidos a cair por Abraão. Seria o mesmo que interpretar provérbios literalmente. O que, por óbvio, resulta em erro.

Mesmo assim, alguns – ignorando toda a abviedade – insistem em que Abraão e Sara eram meios-irmãos por parte de pai. E o fazem citando o fato de que a lei normativa/ritual de Deus que proibia tal ato ainda não havia sido promulgada por Deus na Bíblia, o que só ocorreu pela primeira vez em Levíticos 18.

Essa afirmação ignora diversos pontos, inclusive alguns princípios espirituais fundamentais (acima citados). Contudo, investirei algum tempo – mesmo que não fosse necessário fazê-lo – a fim de refutar tal absurda afirmação.

Senão vejamos. Para o atento leitor da Bíblia já parece claro haver uma distinção entre lei espiritual/moral e lei ritual/religiosa. Apenas para citar alguns exemplos, Deus condena Caim mesmo sem uma lei ritual/religiosa proibindo o assassinato (lei que só veio no Sinai, em Êxodo 20.13). Ainda assim, ele condena Caim pelo assassinato de seu irmão, Abel (Gn 4.1-16).

Deus condena a relação incestuosa entre Ló e suas duas filhas mesmo sem uma lei ritual/religiosa proibindo o incesto (Gn 19.30-38).

E, antes que alguém mais uma vez ignore os sinais óbvios no texto, e afirme que não há condenação clara no texto de Gênesis 19.30-38; vamos reforçar (ainda que desnecessário) os pontos que demonstram com absoluta clareza a plena consciência das filhas de Ló quanto ao incesto ser pecaminoso: (1) lembremo-nos de que Ló foi retirado, com sua esposa e duas filhas, da cidade de Sodoma devido à imensa iniqüidade reinante no modo de vida de seus habitantes (Gn 18.20,21); (2) os genros de Ló, cidadãos de Sodoma, não deram crédito à pregação de Ló, achando graça de sua fala (tsâchaq – “rir abertamente, fazer troça, caçoar”); (3) o ato incestuoso foi planejado – e não apenas isso – na ciência de que tal ato era abominável, deram a beber a seu pai (Ló) a fim de que não pudesse reconhecê-las na consumação da conjunção carnal, uma vez que sabiam estarem praticando iniqüidade contra a lei espiritual de Deus (“demos de beber vinho a nosso pai”, v.32; “demos-lhe de beber vinho também esta noite, e então entra tu, deita-te com ele”, v.34); (4) o modo pecaminoso de Sodoma havia feito morada na mente das filhas de Ló – em suma, elas saíram de Sodoma, mas Sodoma não saiu delas; (5) a Bíblia claramente inocenta Ló deste ato ao destacar em ambas as ocasiões que, sob efeito de muito álcool (embora, do pecado da embriaguez, Ló não fosse inocente) “não sentiu ele quando ela se deitou” (v.33) “e não sentiu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou” (v. 35); (6) e conclui este chocante relato com a sentença, literalmente, “e ambas as filhas de Ló ficaram grávidas de seu pai” (v.36); (7) até os descendentes dos filhos de tal ato, criados pelas mães incestuosas, viriam a ser profundamente iníquos e pedra de tropeço para Israel (Nm 22.3-6; Jz 3.12-14; 10.7-9; 1 Sm 14.47) – do filho da mais velha, os Moabitas; do filho da mais jovem, os Amonitas.

O que claramente se observa aqui é que o incesto é pecado. Sua prática constitui iniqüidade, e as filhas de Ló o sabiam. E isso, mesmo sem que houvesse uma lei ritual/religiosa. Em outras palavras, elas – como Caim – pecaram conscientemente, mesmo sem que houvesse uma lei externa a ser transgredida. Mas, se transgrediram, então alguma lei havia. Onde ela estava?

Observemos, antes mesmo de Ló e o casamento de Abraão, que Deus condena a humanidade, punindo-a com o dilúvio (Gn 7.1-24) – mesmo antes de qualquer norma ritual divina. Porque, embora não houvesse uma norma proibindo essas coisas, havia uma lei espiritual – escrita no coração dos homens – que os acusava (através de suas consciências) de que tais atos eram pecado (Ec 3.11,12; 7.29; Rm 2.14-16). Tanto que o próprio Caim tenta encobrir seu assassinato quando é confrontado por Deus e a Bíblia narra a história do incesto das filhas de Ló reprovando tal fato.

O pecado é a transgressão da lei (Rm 4.15; 1 Jo 3.4), e não apenas da lei ritual (durante o tempo de sua vigência, pois as leis rituais não são perpétuas), mas também (e principalmente) da lei moral/espiritual em nossos corações.

Os legisladores brasileiros sabiam que matar era errado mesmo antes de escrever o primeiro código penal brasileiro. O assassinato é pecado, e isso nossa própria consciência atesta. O adultério, a fornicação, o roubo, a mentira e tantos outros pecados graves são conhecidos de nossa consciência como transgressão da lei moral de Deus, e para tanto não necessitamos de uma lei escrita. Mesmo assim, Deus nos dá a Sua lei moral/espiritual, a Bíblia Sagrada.

Contudo, o assassinato não se tornou pecado apenas após Êxodo 20.13. Ele já era pecado antes disso, e todos os seres humanos o reconheciam. O próprio Caim o reconheceu ao tentar encobrir o homicídio de seu irmão, Abel.

Da mesma forma, o incesto já era pecado antes de Levíticos 18, e isso a triste história de Ló já nos demonstra. Portanto, Abraão, como pai da fé, certamente não ignoraria tão grave iniqüidade contra Deus (o incesto) e, por óbvio, não cairia em tal pecado. O próprio Deus não ignoraria o pecado de Abraão. E certamente confirma que não houve incesto ao chamá-lo de profeta (Gn 20.7).

Sara é, portanto, sua "irmã" num sentido metafórico; mas não num sentido literal (filha biológica de Terá).

Sara era, pois, "irmã" de Abraão num sentido de irmandade (da mesma forma que – nos dias atuais – referimo-nos aos que professam nossa mesma fé em Cristo Jesus) por meio de seu pai, Terá, que deve tê-la tratado como se sua filha fosse; e não num sentido de consangüinidade.

Ainda, é interessante perceber que o termo traduzido por "irmão(a)” é usado diversas vezes na Bíblia para expressar proximidade, amizade – mesmo sem que houvesse qualquer laço de consangüinidade. Veja:

Tiraste-me o coração, minha irmã, minha esposa: tiraste-me o coração com um dos teus olhos, com um colar do teu pescoço. (Cantares 4.9)

E:

E disse Abrão a Ló: Ora não haja contenda entre mim e ti, e entre os meus pastores e os teus pastores, porque irmãos somos. (Gênesis 13.8 – ARC 1969, no original, ach: literalmente, irmãos. A mesma palavra usada em Gn 4.9).

Em suma, Abraão não poderia ser meio-irmão de Sara num sentido biológico (cometido incesto) e, ao mesmo tempo, o patriarca da fé e um profeta (Gn 20.7). Ele, pelo contrário, fez uso de uma palavra – cujos diversos significados confundiriam Faraó e Abimeleque – para livrar-se de uma possível morte por estes.

Ao que parece – tal ação de brincar com a palavra “irmã” para confundir os demais tornou-se uma “tradição de família”, pois Isaque usou da mesma estratégia em relação a Rebeca (os quais eram, na verdade, primos – Gn 22.20-23):

Assim habitou Isaque em Gerar. E perguntando-lhe os homens daquele lugar acerca de sua mulher, disse: É minha irmã; porque temia dizer: É minha mulher; para que porventura (dizia ele) não me matem os homens daquele lugar por amor de Rebeca; porque era formosa à vista. E aconteceu que, como ele esteve ali muito tempo, Abimeleque, rei dos filisteus, olhou por uma janela, e viu, e eis que Isaque estava brincando com Rebeca sua mulher. Então chamou Abimeleque a Isaque, e disse: Eis que na verdade é tua mulher; como pois disseste: É minha irmã? E disse-lhe Isaque: Porque eu dizia: Para que eu porventura não morra por causa dela.E disse Abimeleque: Que é isto que nos fizeste? Facilmente se teria deitado alguém deste povo com a tua mulher, e tu terias trazido sobre nós um delito. (Gn 26.6-10)

O mais interessante é que os filisteus reconheciam o adultério como “delito” (v. 10); mas – segundo alguns “mestres da bíblia” modernos – o incesto, em absurda exceção, ainda não era reconhecido como pecaminoso porque não havia uma lei religiosa/ritual! – que só viria em Levíticos 18.

Parece que esse jogo de palavras continua confundindo alguns néscios em nossos dias!

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