Nossa Esperança: 1. Arrebatamento da Igreja e Bodas do Cordeiro
- Gile
- 13 de set. de 2025
- 38 min de leitura
Atualizado: 21 de dez. de 2025

Após uma breve introdução e uma visão panorâmica da linha temporal escatológica, podemos nos aprofundar em cada etapa anteriormente sumarizada.
Iniciaremos pelo Arrebatamento da Igreja e os eventos diretamente conectados a ele, quais sejam: as bodas do cordeiro no céu e o surgimento concomitante na Terra do governo final dos dez reis.
Primeiro, é preciso dizer que o evento inicial na linha do tempo escatológica é o Arrebatamento da Igreja. Não há nenhuma profecia que necessite ser cumprida antes que ele ocorra, nem qualquer outro evento que o preceda. Logo, aguardamos ansiosamente, e com esperança, sua ocorrência iminente, conforme a própria Escritura nos ordena.
Vamos resumir o que a Bíblia nos diz sobre o Arrebatamento em 4 pontos principais:
1. Precede a Tribulação de Sete Anos, um período de juízo sobre os descrentes da Terra (Dn 12.1,2; Mt 24.37-44; Rm 5.9; 1ª Ts 1.9,10; 5.9; Ap 3.10);
2. É um evento quase que instantâneo. Ainda assim, é dividido em duas etapas de frações de segundo: (1) os mortos em Cristo ressuscitam primeiro (Dn 12.1,2; 1ª Co 15.51,52; 1ª Ts 4.16); (2) depois, os salvos em Cristo que estiverem vivos terão seus corpos transformados em corpos glorificados (1ª Co 15.53-55; 1ª Ts 4.17) – à semelhança do corpo de Cristo após sua ressurreição (Lc 24.13-25, 36-42; Jo 21.1-15; 1ª Co 15.35-50; 2ª Co 5.1-4; Fp 3.20,21; 1ª Jo 3.2);
3. Ainda nos ares, logo após sermos tirados da Terra (Ap 22.12; 1ª Pe 5.4), seremos julgados por nossas obras no Tribunal de Cristo (1ª Co 3.11-15; 2ª Co 5.10; Ap 3.11; Hb 6.9,10; Rm 14.10), antes de entrarmos nas Bodas do Cordeiro. Esse julgamento não envolve salvação, mas retribuição (galardão) pela vida cristã apresentada, seremos julgados pelo modo como vivemos como cristãos;
4. É seguido pelas Bodas do Cordeiro. Um período no céu em que a Igreja celebra sua união com o Cordeiro, Cristo Jesus (Jo 14.1-3; Ap 19.6-9; Mt 22.1-14).
1. Precede a Tribulação de Sete Anos, um período de juízo sobre os descrentes da Terra (Dn 12.1,2; Mt 24.37-44; Rm 5.9; 1ª Ts 1.9,10; 5.9; Ap 3.10).
A Escritura declara que haverá uma semana de anos (isto é, 7 anos) a ser cumprida ainda. O livro de Daniel registra 70 semanas proféticas, das quais 69 já ocorreram:
Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santo dos Santos. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos. Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará; e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas. Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele. (Dn 9.24-27; ARA93)
A profecia das Setenta Semanas resume períodos importantes da história. Estão, contudo, divididas em quatro períodos: (1) 7 semanas (i.e., 7 x 7 = 49 anos); (2) 62 semanas (62 x 7 = 434 anos); (3) um período parentético indeterminado (da morte do Messias até o surgimento do Anticristo – fazendo um pacto com muitos) e (4) 1 semana (o período do último império humano sobre a Terra; i.e., a Tribulação de 7 anos).
O período parentético entre a 69ª e a 70ª semana é conhecido como “tempos dos gentios” (Lucas 21.24).
Eurico Bergstén assim apresenta as semanas de Daniel (explicação entre colchetes acrescida):
A primeira parte compreende “sete semanas”, isto é, 7x7, ou 49 anos (Dn 9.25), e destaca, com clareza, o começo da contagem dessas “semanas” – desde a saída da ordem para restaurar e edificar Jerusalém". (…) Daquela data até a conclusão desse trabalho (Ne 6.15) passaram-se realmente 49 anos.
A segunda etapa compreende “sessenta e duas semanas”, isto é, 62x7, ou 434 anos, tempo que abrange da restauração de Jerusalém ao Messias, o Príncipe, Dn 9.25. É realmente impressionante observar que desde a data do decreto para a restauração até a data da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém (Mateus 21.1-10) passaram-se exatamente 69 “semanas” ou 69x7, que são 483 anos.
A terceira parte compreende a última semana, isto é, a septuagésima semana, sobre a qual a profecia diz: “Ele [o Anticristo] firmará um concerto com muitos por uma semana [7 anos], e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares, e sobre a asa das abominações virá o assolador…”, Dn 9.27. Comparando esta expressão com a palavra de Jesus, quando profetizava sobre esses acontecimentos (Mt 24.15,21), fica provado que a septuagésima semana, sem dúvida, representa o tempo da grande aflição.1
Divide-se, portanto, esse período da história em quatro segmentos – as 7 semanas, as 62 semanas, o período parentético (da morte do Messias até o início da primeira semana) e a última semana, a 70ª, que corresponde aos 7 anos de Tribulação.
Pastor sênior da Grace Community Church (Sun Valley, Califórnia) e presidente da The Master's University (Santa Clarita, Califórnia), doutor John MacArthur Jr. concorda com Bergstén:
A “ordem para restaurar e para edificar Jerusalém” muito provavelmente se refere ao decreto de Artaxerxes registrado em Neemias 2.1-8, que ocorreu no mês de nisã no vigésimo ano do reinado de Artaxerxes (Ne 2.1). A história coloca esse decreto aproximadamente 450 anos antes da vinda de Cristo. Assim, as sessenta e nove semanas proféticas – 483 anos – na verdade, representa o dia e ano exatos em que Cristo entrou em Jerusalém em triunfo. (Isso também ocorreu no mês de nisã – no primeiro dia da semana da Páscoa – provavelmente, no ano 30 ou 33 d.C.) Imediatamente depois disso, o Messias foi “tirado” (pela crucificação), assim como Daniel profetizou. Desse modo, a sexagésima nona semana de Daniel foi concluída.2
A última semana, os sete anos de tribulação (e, consequentemente, sua primeira metade – o princípio das dores, de 3 anos e meio), tem início após o Arrebatamento secreto da Igreja. Pouco tempo depois desse evento, o Anticristo fará um pacto com as nações da Terra (Dn 9.27).
Como você deve ter percebido, há um período parentético entre a 69ª e a 70ª semana, que é o exato período da história onde nos encontramos agora. Logo, o próximo evento a ocorrer é o Arrebatamento da Igreja.
Por que cremos que o Arrebatamento precederá a última semana de 7 anos de Daniel?
Comecemos por Daniel 12.1,2 (ARA93) (grifo acrescido):
Nesse tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo, e haverá tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas, naquele tempo, será salvo o teu povo, todo aquele que for achado inscrito no livro. Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno.
Vemos no referido texto que (1) haverá um tempo de angústia (tribulação) sem precedentes na história da humanidade (7 anos de tribulação); (2) haverá, contudo, salvação para o povo de Deus (isso inclui os que crêem em Cristo, não é uma salvação nacional, baseada em etnicidade, mas na fé em Cristo, independentemente da nacionalidade); (3) a salvação será conforme a inscrição no livro da vida, apenas os que tiverem seus nomes nele serão salvos; (4) conforme o texto flui, indica que essa salvação ocorrerá por meio da ressurreição dos que dormem “no pó da terra”; ou seja, o Arrebatamento (o qual começa pela ressurreição dos mortos).
Outro texto que trata do Arrebatamento é Mateus 24.37-44 (ARA93):
Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem. Então, dois estarão no campo, um será tomado, e deixado o outro; duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada, e deixada a outra. Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor. Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa. Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá.
Há dois pontos a considerar aqui.
Primeiro, Jesus lida com o Arrebatamento como um evento inesperado, não precedido por qualquer sinal ou evento. Logo, percebemos que ele é o evento que rompe com a rotina da vida daqueles dias. Portanto, precedendo a Tribulação, pois ela é um marcador de tempo por si e também é cheia de eventos que a tornam única. Será impossível não percebê-la quando vier a ocorrer. E, se o Arrebatamento a sucedesse; logo, teríamos como contar o tempo e saber com precisão quando este ocorreria. Desta forma, ele não seria inesperado ou, como o texto descreve, ocorrido sem que o percebessem. É impossível conciliar um Arrebatamento pós ou mesotribulacional com o aviso de Cristo, de que "à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá".
Paulo reafirma o mesmo conceito ilustrado por Jesus, a iminência do Arrebatamento pré-tribulacional, em 1ª Tessalonicenses 5.3,4 (ARA93):
Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão. Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que esse Dia como ladrão vos apanhe de surpresa.
E, entendendo que o Arrebatamento é o início da Tribulação e também o livramento dos santos dela, o verso 9 confirma que seremos libertos dela através do rapto da Igreja junto a Cristo:
Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo.
É interessante notar como Paulo, assim como Jesus já havia feito em Mateus 24, demarca o início da Tribulação nas “dores de parto”, o Princípio da Dores. Assim, estabelece uma clara linha de eventos que segue Arrebatamento e, depois, princípio das dores (de parto) como parte da Tribulação. Logo, temos confiança em afirmar, baseados na Palavra, que o Arrebatamento precede a Tribulação, da qual o princípio das dores constitui a primeira parte.
Em Romanos 5.6-9 (ARA93), Paulo novamente sustenta o Arrebatamento anterior à Tribulação (grifo acrescido):
Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.
Ele inicia descrevendo o ato de graça de Deus pela humanidade, que nos permitiu receber Seu perdão; e encerra com uma promessa que complementa o primeiro ato, o livramento de Sua ira. Esta será derramada sobre toda a Terra na última semana de Daniel; nós, porém, "seremos por ele salvos da ira". Temos essa promessa para nos consolar.
Se Paulo, no entanto, tencionasse apresentar o Arrebatamento após ou durante a Tribulação, não faria sentido afirmar que “seremos por Ele [Jesus] salvos da ira” como também “consolai-vos” (1ª Ts 4.18; 5.11), com base no que disse anteriormente sobre o assunto. Que consolo haveria em passarmos pelo período de maior angústia da história? O único consolo a que nos apresenta é o livramento da Tribulação por meio do Arrebatamento. Tudo se encaixa com perfeição sob esse entendimento.
Se o Arrebatamento é meso ou pós-tribulacional, a fala de Paulo deixa de ter sentido; e também as Bodas do Cordeiro, uma vez que elas duram (como as bodas dos tempos bíblicos) uma semana (de anos; neste caso, 7 anos), o mesmo período de duração da Tribulação. Veja como tudo se encaixa com perfeição quando simplesmente deixamos o texto falar por si.
Um segundo ponto importante em Mateus 24.37-44 é: como era o modus vivendi dos contemporâneos de Noé e Ló?
A respeito de Noé, lemos em Gênesis 6.5-8 (ARA93):
Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração; então, se arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração. Disse o SENHOR: Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus; porque me arrependo de os haver feito. Porém Noé achou graça diante do SENHOR. (grifo acrescido)
Sobre a sociedade de Ló, temos uma descrição em Gênesis 18.20,21; 19.1-9 (ARA93):
Disse mais o SENHOR: Com efeito, o clamor de Sodoma e Gomorra tem-se multiplicado, e o seu pecado se tem agravado muito. Descerei e verei se, de fato, o que têm praticado corresponde a esse clamor que é vindo até mim; e, se assim não é, sabê-lo-ei. (...) Ao anoitecer, vieram os dois anjos a Sodoma, a cuja entrada estava Ló assentado; este, quando os viu, levantou-se e, indo ao seu encontro, prostrou-se, rosto em terra. E disse-lhes: Eis agora, meus senhores, vinde para a casa do vosso servo, pernoitai nela e lavai os pés; levantar-vos-eis de madrugada e seguireis o vosso caminho. Responderam eles: Não; passaremos a noite na praça. Instou-lhes muito, e foram e entraram em casa dele; deu-lhes um banquete, fez assar uns pães asmos, e eles comeram. Mas, antes que se deitassem, os homens daquela cidade cercaram a casa, os homens de Sodoma, tanto os moços como os velhos, sim, todo o povo de todos os lados; e chamaram por Ló e lhe disseram: Onde estão os homens que, à noitinha, entraram em tua casa? Traze-os fora a nós para que abusemos deles. Saiu-lhes, então, Ló à porta, fechou-a após si e lhes disse: Rogo-vos, meus irmãos, que não façais mal; tenho duas filhas, virgens, eu vo-las trarei; tratai-as como vos parecer, porém nada façais a estes homens, porquanto se acham sob a proteção de meu teto. Eles, porém, disseram: Retira-te daí. E acrescentaram: Só ele é estrangeiro, veio morar entre nós e pretende ser juiz em tudo? A ti, pois, faremos pior do que a eles. E arremessaram-se contra o homem, contra Ló, e se chegaram para arrombar a porta. (grifo acrescido)
E sobre os sentimentos que afligiam Ló ao viver em meio a uma sociedade tremendamente caída, 2ª Pedro 2.7-9 (ARA93) afirma:
e livrou o justo Ló, afligido pelo procedimento libertino daqueles insubordinados (porque este justo, pelo que via e ouvia quando habitava entre eles, atormentava a sua alma justa, cada dia, por causa das obras iníquas daqueles), é porque o Senhor sabe livrar da provação os piedosos e reservar, sob castigo, os injustos para o Dia de Juízo. (grifo acrescido)
Sobre o período propriamente dito em que Deus derramará a Sua ira sobre a Terra, a Tribulação, trataremos mais adiante. Por hora, é-nos suficiente conhecer o relato de Apocalipse 6.15-17 (ARA93):
Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?
O trecho acima trata da última semana de Daniel, o período conhecido como Tribulação. Nesse momento da história, os habitantes da Terra reconhecerão que estão recebendo a recompensa por seu modo de vida rebelde contra Deus. Eles mesmos confessarão que “chegou o grande Dia da ira deles” [“o que se assenta no trono”, Deus Pai; e “o Cordeiro”, Jesus].
A “ira” de que trata Apocalipse 6.15-17 é a mesma de que seremos livres conforme a promessa de Romanos 5.6-9 e textos correlatos. É o mesmo juízo a que faz menção Apocalipse 14.9-10a (ARA93 – grifo acrescido):
Seguiu-se a estes outro anjo, o terceiro, dizendo, em grande voz: Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira.
Portanto, não faz nenhum sentido entender o Arrebatamento após ou durante a Tribulação, pois colocaria a Igreja como objeto da ira divina, a qual se destina apenas aos descrentes, os que “adora[m] a besta e a sua imagem e recebe[m] a sua marca na fronte ou sobre a mão”.
Encerramos esta subseção com a promessa de Deus aos santos, através da carta à Igreja em Laodicéia, registrada em Apocalipse 3.10 (ARA93 – grifo acrescido):
Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra.
Assim, a resposta à pergunta “por que o Arrebatamento precede a Tribulação?” pode ser resumida em três pontos:
1. Porque seremos livrados da ira vindoura (A Tribulação);
2. Porque as Bodas do Cordeiro, que o sucedem, duram 7 anos (uma semana de anos – como o casamento dos tempos bíblicos). Ou seja, as bodas do cordeiro são concomitantes à Tribulação;
3. Porque o Arrebatamento é iminente; logo, não há evento que o preceda.
Que confiança temos em Cristo, não seremos afligidos! Quando aquele Dia chegar, o grande e terrível Dia do Senhor sobre toda a Terra, estaremos com Cristo nas Bodas do Cordeiro!
2. É um evento quase que instantâneo. Ainda assim, é dividido em duas etapas de frações de segundo: (1) os mortos em Cristo ressuscitam primeiro (Dn 12.1,2; 1ª Co 15.51,52; 1ª Ts 4.16); (2) depois, os salvos em Cristo que estiverem vivos terão seus corpos transformados em corpos glorificados (1ª Co 15.53-55; 1ª Ts 4.17) – à semelhança do corpo de Cristo após sua ressurreição (Lc 24.13-25, 36-42; Jo 21.1-15; 1ª Co 15.35-50; 2ª Co 5.1-4; Fp 3.20,21; 1ª Jo 3.2).
Em Daniel 12.1,2 (ARA93 – grifo acrescido) encontramos um impressionante relato de como o Arrebatamento será:
Nesse tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo, e haverá tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas, naquele tempo, será salvo o teu povo, todo aquele que for achado inscrito no livro. Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno.
A revelação dada a Daniel assegura-nos que: (1) haverá um tempo de angústia sem precedentes; (2) o povo de Deus será salvo e haverá uma ressurreição dos mortos para “todo aquele que for achado inscrito no livro”.
Nesta última parte, vemos uma referência clara a universalidade desta ressurreição. Ela não se aplica exclusivamente aos crentes do Novo Testamento, mas a “todo aquele que for achado inscrito no livro” [da vida]. Isso inclui desde os dias de Adão até o último salvo. Aqui, já começamos a compreender a caducidade da antiga aliança e da existência espiritual de Israel. Já não se fala em Israel e a Igreja, mas apenas nesta. Israel é temporário e serve ao propósito de trazer o messias fisicamente a este mundo.
A Igreja inclui Israel, é anterior (Gn 3.15) e posterior (Ap 21.27) a este. Não há, escatologicamente falando, separação entre salvos gentios e salvos judeus. O judaísmo já não existe espiritualmente desde a chegada de João Batista. Sua validade finda aí.
Caso nunca tenha pensado a respeito, Adão não é judeu. Também não o são Abraão, Melquisedeque ("sacerdote do Deus altíssimo", Hb 7.1), Isaque, Jacó, os doze filhos de Jacó (incluindo José) e o próprio Moisés (por meio de quem foi dada a Lei – antiga aliança – a Israel). Todos eles são anteriores à Lei. E mais interessante, mesmo durante a vigência da Lei, ainda vimos revelações de entendimento da caducidade desta e da existência da Igreja. O texto de Daniel 12.2 é um exemplo disso.
Cristo anuncia que, um dia, haverá “um rebanho e um pastor” (Jo 10.16). Ele refere-se a essas pessoas como Suas ovelhas e que a Ele convém conduzi-las (Jo 10.16). Logo, ele é o único pastor e os que O seguem são o único rebanho. Um único pastor e um único rebanho. Não se vê aqui qualquer referência a atual dicotomia apregoada no meio protestante a respeito de Israel como entidade espiritual separada da Igreja. Igreja é a única separação deste mundo. Ou você é parte dela, ou não é. Não há um terceiro grupo.
É importante entendermos quem é o povo de Deus, o único rebanho do único pastor. Paulo é categórico em Gálatas 3.7-11 (ARA93):
Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão:
Em ti, serão abençoados todos os povos.
De modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão. Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito:
Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las.
E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé.
Nenhuma pessoa, que esteja destituída de visão anterior sobre este assunto, ao ler o texto acima, concluiria que Israel constitui um grupo separado espiritualmente ainda nos dias atuais. Já nos dias de Paulo, Israel não o era, quanto mais hoje e na Tribulação! Ele é claro e taxativo: “os da fé é que são filhos de Abraão”.
João Batista já o sabia e o afirmou categoricamente. Temos seu registro em Mateus 3.7-10 (ARA93 – grifo acrescido):
Vendo ele, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão. Já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.
Esse texto possui muitos ensinos. O primeiro é que o discípulo de Cristo será salvo da ira vindoura, o que já discutimos anteriormente. O segundo é que o arrependimento é o critério daqui em diante; ou seja, ele está fazendo uma clara referência ao discipulado de Cristo. O próprio Evangelho, segundo Mateus registra, descreve: "Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus" (Mt 4.17).
João, então, recusa o critério hereditário como padrão espiritual de filiação à aliança abraâmica (“Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão”). E arremata: “porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão”.
E, finalmente, adverte-os: “Já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo” (v.10). Ele claramente demonstra que a dispensação da Lei acabou e que o padrão para o Reino dos Céus são "frutos dignos de arrependimento" – i.e., uma vida que demonstre o arrependimento que confessa possuir. Não se trata de sua origem étnica; não importa se você é judeu, grego, árabe ou o que for. Agora, o fruto do arrependimento é o critério. Um Israel separado dos demais povos já não existe.
O mesmo entendimento é-nos dado em Gálatas 3.7-11. E Paulo vai adiante:
Mas, antes que viesse a fé, estávamos sob a tutela da lei e nela encerrados, para essa fé que, de futuro, haveria de revelar-se. De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé. Mas, tendo vindo a fé, já não permanecemos subordinados ao aio. (Gl3.23-25 – ARA93)
Ele explica que a lei teve um propósito temporário, o qual inclusive já se encerrou. Agora, que já chegamos à revelação de Cristo, ela não nos é necessária. Vivemos sob a fé; portanto, o aio (a lei) não nos é mais necessário.
E ele continua (Gl 3.26-28 – ARA93):
Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.
Não se faz necessário maior comentário sobre o texto acima, apenas limitar-me-ei a destacar um trecho, “não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (grifo acrescido).
E, por fim, ele conclui (Gl 3.29 – ARA93):
E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa.
As promessas feitas a Abraão pertencem aos salvos em Cristo, a única descendência de Abraão, e não ao Israel étnico3. Isso deve ter chocado os judaizantes e até alguns crentes judeus daqueles dias. Paulo foi claro e enfático aqui. Não resta dúvida. Só há um corpo espiritual, um rebanho e uma noiva – a Igreja em Cristo.
Paulo traz o mesmo ensino à Igreja em Roma, a qual era majoritariamente formada por não-judeus, referindo-se inicialmente a Abraão (Rm 4.11-17 – grifo acrescido):
E recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé que teve quando ainda incircunciso; para vir a ser o pai de todos os que creem, embora não circuncidados, a fim de que lhes fosse imputada a justiça, e pai da circuncisão, isto é, daqueles que não são apenas circuncisos, mas também andam nas pisadas da fé que teve Abraão, nosso pai, antes de ser circuncidado. Não foi por intermédio da lei que a Abraão ou a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo, e sim mediante a justiça da fé. Pois, se os da lei é que são os herdeiros, anula-se a fé e cancela-se a promessa, porque a lei suscita a ira; mas onde não há lei, também não há transgressão. Essa é a razão por que provém da fé, para que seja segundo a graça, a fim de que seja firme a promessa para toda a descendência, não somente ao que está no regime da lei, mas também ao que é da fé que teve Abraão (porque Abraão é pai de todos nós, como está escrito:
Por pai de muitas nações te constituí),
perante aquele no qual creu, o Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem.
As promessas a Abraão pertencem exclusivamente aos da fé, os salvos em Cristo. Qualquer um pode obtê-las, desde que esteja em Cristo. Fora dele, elas não existem.
Em suma, o plano da salvação é-nos revelado pela primeira vez em Gênesis 3.15 ("Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar") e passou pela manifestação da lei mosaica e da nação de Israel, os quais foram temporários e tiveram seu fim espiritual na chegada de João Batista. Jesus estabeleceu uma nova e duradoura aliança por meio de Sua obra redentora. A existência espiritual da nação de Israel já não subsiste. Espiritualmente, do ponto de vista bíblico e escatológico, há apenas os salvos (a noiva de Cristo) e os não-salvos (os que rejeitam Cristo). Não há nada entre eles.
Agora, retornando à análise de Dn 12.1,2; percebemos pelos demais textos da Bíblia, que a angústia referida será sobre toda a Terra e que o povo de Deus em Dn 12.2 é a Igreja de todas as eras, desde Adão até o último salvo.
Como lidamos com o Antigo Testamento, a sombra das coisas que viriam a ser (Cl 2.17; Hb 10.1), muitas vezes, não há maiores detalhes. Entretanto, já vemos o esboço da descrição mais detalhada que o Novo Testamento nos faz em 1ª Coríntios 15.50-54 (ARA93 – grifo acrescido):
Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção. Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita:
Tragada foi a morte pela vitória.
Do texto obtemos importantes lições. A palavra traduzida em língua portuguesa que descreve a duração desse evento, “momento” (v. 52), no original grego é atomō. E significa literalmente “algo que não pode ser dividido”, “uma porção de tempo tão pequena que não pode ser fracionada”, “parte indivisível de tempo”, “um momento”.
Isso está em linha com a própria palavra usada para descrever o Arrebatamento no original grego, harpagēsometha (1ª Ts 4.17), que significa “arrebatar”, “obter por meio de roubo”; um derivado de haireomai; “tomar com velocidade e força”. A palavra original traz a idéia de tomar algo de alguém rapidamente e com força, como um batedor de carteiras faz ao passar de bicicleta ou correndo por sua vítima. Ele toma com velocidade e força o objeto furtado e leva-o consigo em alta velocidade.
Logo, não é algo que durará mais do que uma mínima fração de tempo. Algo tão rápido, que sequer será notado por aqueles que não estiverem envolvidos. De fato, Paulo chega a comparar tal evento a um “abrir e fechar de olhos” (v. 52).
O segundo ponto que devemos perceber é que há uma sequência de eventos: “A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados”. Esta mesma sequência é vista em 1ª Tessalonicenses 4.15-18 (ARA93 – grifo acrescido):
Ora, ainda vos declaramos, por palavra do Senhor, isto: nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem. Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras.
A mesma cadeia de fatos é vista aqui: (1) Deus dá a ordem para que o Arrebatamento ocorra (“o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus" – v. 16); (2) os mortos ressuscitam primeiro ("os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro" – v. 16); (3) depois os vivos terão seus corpos transformados em corpos glorificados, sendo - concomitantemente – elevados ao céu para o encontro com Cristo nos ares ("depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares" – v. 17).
Depreendemos disso que Cristo não virá até a Terra, Ele encontrar-se-á com o Seu povo "nos ares" (v. 17). E isso será em uma fração indivisível de tempo, ou seja, tão rápido quanto imperceptível. O ser humano pode perceber, ainda que de forma imprecisa, eventos de 13 milissegundos (13 x 10-3 segundos) ou mais. Sua capacidade de reação gira em torno de 13 a 70 milissegundos. Isso são 13 vezes um único milissegundo. E ainda temos unidades menores de tempo: microssegundo (10-6), nanossegundo (10-9) e até mesmo zeptossegundo (10-21) – que é a menor fração de tempo já medida por equipamentos e que representa muito menos do que o ser humano consegue perceber.
O número após o 10, como -6 em microssegundo, representa a quantidade de zeros antes da vírgula até chegarmos a 1 segundo. Assim, 1 microssegundo significa 0,000001 segundo. E um zeptossegundo equivale a 0,000000000000000000001 segundo. Agora, imagine que o Arrebatamento será ainda mais rápido do que isso. Ele será na menor fração de tempo possível. E isso é menos do que 1 zeptossegundo.
A consequência lógica disso é clara: ele será invisível aos não envolvidos.
Outro ponto importante é que este evento não é o mesmo que o descrito em Zacarias 14.4 e Ap 19.11-21; em que, ao final dos 7 anos da Tribulação, Cristo vence o Anticristo na Batalha do Armagedom. Se os examinarmos, veremos que há pontos distintivos.
Naquele dia, estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade, para o sul. (Zc 14.4 – ARA93)
E:
Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça. Os seus olhos são chama de fogo; na sua cabeça, há muitos diademas; tem um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo. Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama o Verbo de Deus; e seguiam-no os exércitos que há no céu, montando cavalos brancos, com vestiduras de linho finíssimo, branco e puro. Sai da sua boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com cetro de ferro e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso. Tem no seu manto e na sua coxa um nome inscrito: Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. Então, vi um anjo posto em pé no sol, e clamou com grande voz, falando a todas as aves que voam pelo meio do céu: Vinde, reuni-vos para a grande ceia de Deus, para que comais carnes de reis, carnes de comandantes, carnes de poderosos, carnes de cavalos e seus cavaleiros, carnes de todos, quer livres, quer escravos, tanto pequenos como grandes. E vi a besta e os reis da terra, com os seus exércitos, congregados para pelejarem contra aquele que estava montado no cavalo e contra o seu exército. Mas a besta foi aprisionada, e com ela o falso profeta que, com os sinais feitos diante dela, seduziu aqueles que receberam a marca da besta e eram os adoradores da sua imagem. Os dois foram lançados vivos dentro do lago de fogo que arde com enxofre. Os restantes foram mortos com a espada que saía da boca daquele que estava montado no cavalo. E todas as aves se fartaram das suas carnes. (Ap 19.11-21 – ARA93)
Em Apocalipse 19.11-21 e Zacarias 14.4, Jesus tem literalmente seus pés colocados sobre o monte das Oliveiras (Zc 14.4) e vem com os seus para guerrear (Ap 19.14). Neste caso, Ele já está com o Seu povo (Ap 19.4 – Bodas do Cordeiro) por isso vem com o seu povo para guerrear (Ap 19.11-19 – Batalha de Armagedom) e não para o seu povo (1ª Ts 4.16,17).
Em 1ª Tessalonicenses 4.15-18, Jesus vem para encontrar-se com o Seu povo nos ares, e em Ap 19.11-19 já está com o Seu povo – com o qual se encontrou em Ap 19.6-9 (Bodas do Cordeiro), antes mesmo da Batalha do Armagedom, descrita em Zacarias 14.4 e Apocalipse 19.11-19.
Em Zacarias 14.4, há um grande evento geológico, a fissão do monte das Oliveiras – que tornará este evento visível; em 1ª Ts 4.15-18, o evento é súbito e numa fração de tempo imperceptível ao ser humano, não há evento visível descrito nele. São, portanto, dois eventos distintos, ocorrendo em dois momentos separados.
Uma questão relevante é que os corpos que os santos receberão, a fim de herdar a vida eterna, serão semelhantes ao de Cristo após ter ressuscitado. Paulo descortina-nos esta verdade em 1ª Co 15.35-50 (ARA93):
Mas alguém dirá: Como ressuscitam os mortos? E em que corpo vêm? Insensato! O que semeias não nasce, se primeiro não morrer; e, quando semeias, não semeias o corpo que há de ser, mas o simples grão, como de trigo ou de qualquer outra semente. Mas Deus lhe dá corpo como lhe aprouve dar e a cada uma das sementes, o seu corpo apropriado. Nem toda carne é a mesma; porém uma é a carne dos homens, outra, a dos animais, outra, a das aves, e outra, a dos peixes. Também há corpos celestiais e corpos terrestres; e, sem dúvida, uma é a glória dos celestiais, e outra, a dos terrestres. Uma é a glória do sol, outra, a glória da lua, e outra, a das estrelas; porque até entre estrela e estrela há diferenças de esplendor. Pois assim também é a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo na corrupção, ressuscita na incorrupção. Semeia-se em desonra, ressuscita em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscita em poder. Semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual. Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, e sim o natural; depois, o espiritual. O primeiro homem, formado da terra, é terreno; o segundo homem é do céu. Como foi o primeiro homem, o terreno, tais são também os demais homens terrenos; e, como é o homem celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial. Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção.
Nos versos 35-37, Paulo trata, por meio da analogia da semente, do futuro corpo do salvo. A semente é lançada ao terreno, mas precisa ceder sua forma à planta que surge a partir dela. Logo, a planta, para surgir, necessita romper a semente e fazê-la deixar de existir. Do mesmo modo, o novo corpo celestial deve tomar o lugar do terreno a fim de que aquele surja.
No v. 40 ele não deixa dúvida a esse respeito: “Também há corpos celestiais e corpos terrestres”. Isso reforça o que foi dito anteriormente. Seguindo seu argumento, Paulo arremata a analogia da semente e da planta ao aplicá-la aos corpos terrenos e celestiais nos versos 42-44:
Pois assim também é a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo na corrupção, ressuscita na incorrupção. Semeia-se em desonra, ressuscita em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscita em poder. Semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual.
Um leitor atento já haveria compreendido nos versos anteriores, que ele estava a falar da semente e da planta como uma analogia aos corpos terreno e celestial. No entanto, caso houvesse alguma dúvida, aqui já não resta. A parte “A” do verso 44 é clara: "se há corpo natural [terreno], há também corpo espiritual [celestial]".
Nos versos 45-47, faz um paralelo entre “o primeiro Adão”, o propriamente dito, e “o último Adão”, Cristo. E, deixando o texto fluir, chegamos aos versos 48-50, em que ele finalmente nos apresenta a idéia a que nos conduziu até agora:
Como foi o primeiro homem, o terreno, tais são também os demais homens terrenos; e, como é o homem celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial.
Em suma, nossos corpos serão semelhantes ao de Cristo ressuscitado. É interessante notar que o assunto que segue essa explicação é justamente como tal ocorrerá – o Arrebatamento (que já tratamos no primeiro ponto).
Paulo volta a este tema em 2ª Coríntios 5.1-4 (ARA93):
Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus. E, por isso, neste tabernáculo, gememos, aspirando por sermos revestidos da nossa habitação celestial; se, todavia, formos encontrados vestidos e não nus. Pois, na verdade, os que estamos neste tabernáculo gememos angustiados, não por querermos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida.
Interessante ver Paulo usar a metáfora da casa para representar o corpo, tanto terreno quanto celestial. Isso me fez lembrar da promessa de Jesus em Jo 14.1-3 (ARA93):
Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.
“Voltarei e vos receberei para mim mesmo [Arrebatamento e Bodas do Cordeiro], para que, onde eu estou, estejais vós também [a eternidade com Deus]”. Uma promessa poderosa e capaz de nos imprimir grande esperança, desde que entendamos de que Ele trata.
Voltando ao que foi dito por Paulo em 1ª e 2ª Coríntios, temos a convicção de que seremos conforme o Cristo ressuscitado. Tal verdade é repetido por ele em Fp 3.20,21 (ARA93 – grifo acrescido):
Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas.
João reforça essa idéia em 1ª João 3.2 (ARA93):
Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é.
Logo, surge a questão: como era o corpo ressuscitado de Cristo?
Responderemos essa pergunta iniciando por Lucas 24.13-25, 36-42 (ARA93 – grifo acrescido):
Naquele mesmo dia, dois deles estavam de caminho para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. E iam conversando a respeito de todas as coisas sucedidas. Aconteceu que, enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e ia com eles. Os seus olhos, porém, estavam como que impedidos de o reconhecer. Então, lhes perguntou Jesus: Que é isso que vos preocupa e de que ides tratando à medida que caminhais? E eles pararam entristecidos. Um, porém, chamado Cleopas, respondeu, dizendo: És o único, porventura, que, tendo estado em Jerusalém, ignoras as ocorrências destes últimos dias? Ele lhes perguntou: Quais? E explicaram: O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que era varão profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo, e como os principais sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam. É verdade também que algumas mulheres, das que conosco estavam, nos surpreenderam, tendo ido de madrugada ao túmulo; e, não achando o corpo de Jesus, voltaram dizendo terem tido uma visão de anjos, os quais afirmam que ele vive. De fato, alguns dos nossos foram ao sepulcro e verificaram a exatidão do que disseram as mulheres; mas não o viram. Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! (...) Falavam ainda estas coisas quando Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: Paz seja convosco! Eles, porém, surpresos e atemorizados, acreditavam estarem vendo um espírito. Mas ele lhes disse: Por que estais perturbados? E por que sobem dúvidas ao vosso coração? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, por não acreditarem eles ainda, por causa da alegria, e estando admirados, Jesus lhes disse: Tendes aqui alguma coisa que comer? Então, lhe apresentaram um pedaço de peixe assado e um favo de mel. E ele comeu na presença deles.
Jesus aparece aos discípulos e é visto por eles, conversa com estes e – alguns versos depois – mostra suas feridas e até come peixe assado e favo de mel! Isso é muito distante da estranha visão popularizada por Hollywood, que nos apresenta o corpo dos mortos como sendo algo fluido, invisível, traspassando paredes e movendo objetos como se flutuassem no espaço.
Em João 21.1-15 (ARA93 – grifo acrescido), mais uma vez vemos o Cristo ressuscitado e como seu corpo se parece:
Depois disto, tornou Jesus a manifestar-se aos discípulos junto do mar de Tiberíades; e foi assim que ele se manifestou: estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e mais dois dos seus discípulos. Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Disseram-lhe os outros: Também nós vamos contigo. Saíram, e entraram no barco, e, naquela noite, nada apanharam. Mas, ao clarear da madrugada, estava Jesus na praia; todavia, os discípulos não reconheceram que era ele. Perguntou-lhes Jesus: Filhos, tendes aí alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não. Então, lhes disse: Lançai a rede à direita do barco e achareis. Assim fizeram e já não podiam puxar a rede, tão grande era a quantidade de peixes. Aquele discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: É o Senhor! Simão Pedro, ouvindo que era o Senhor, cingiu-se com sua veste, porque se havia despido, e lançou-se ao mar; mas os outros discípulos vieram no barquinho puxando a rede com os peixes; porque não estavam distantes da terra senão quase duzentos côvados. Ao saltarem em terra, viram ali umas brasas e, em cima, peixes; e havia também pão. Disse-lhes Jesus: Trazei alguns dos peixes que acabastes de apanhar. Simão Pedro entrou no barco e arrastou a rede para a terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, não obstante serem tantos, a rede não se rompeu. Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. Nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: Quem és tu? Porque sabiam que era o Senhor. Veio Jesus, tomou o pão, e lhes deu, e, de igual modo, o peixe. E já era esta a terceira vez que Jesus se manifestava aos discípulos, depois de ressuscitado dentre os mortos. Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Ele lhe disse: Apascenta os meus cordeiros.
O texto começa avisando-nos, “tornou Jesus a manifestar-se aos discípulos”; e segue, “foi assim que ele se manifestou”. Mais adiante, ele completa: “E já era esta a terceira vez que Jesus se manifestava aos discípulos, depois de ressuscitado dentre os mortos [grifo acrescido]”.
Concordando com o padrão visto na manifestação de Cristo após Sua ressurreição em Lc 24.13-25, 36-42; vemos Jesus: falando e sendo ouvido, sendo visto fisicamente e comendo peixes na brasa à beira-mar.
Assim é o corpo ressuscitado de Cristo, semelhante ao que os santos receberão em Sua volta.
3. Ainda nos ares, logo após sermos tirados da Terra (Ap 22.12; 1ª Pe 5.4), seremos julgados por nossas obras no Tribunal de Cristo (1ª Co 3.11-15; 2ª Co 5.10; Ap 3.11; Hb 6.9,10; Rm 14.10), antes de entrarmos nas Bodas do Cordeiro. Esse julgamento não envolve salvação, mas retribuição (galardão) pela vida cristã apresentada, seremos julgados pelo modo como vivemos como cristãos.
Há uma promessa de julgamento das obras do salvo. Não se trata do julgamento que os ímpios receberão quanto à salvação. Aqui é julgamento quanto ao galardão, à retribuição pela vida cristã apresentada. Ou seja, é exclusivamente aos salvos, aos que estiverem incluídos no Arrebatamento, pois ocorrerá durante o rapto da Igreja.
Paulo afirma que nossas obras como cristãos serão avaliadas e receberão a devida retribuição em 1ª Coríntios 3.11-15 (ARA93):
Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo. Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo.
Mais uma vez, não se trata de avaliação quanto à salvação, todos ali serão salvos. É um julgamento de obras como salvos. Não somos salvos por boas obras; entretanto, para boas obras (Ef 2.8-10).
Há perfeição de justiça em toda a Escatologia. Perceba que mesmo os salvos serão dalgum modo julgados. Se um indivíduo é um cristão verdadeiro, mas não o mais esforçado, será por isso julgado. É admirável como Deus não deixará nada sem retribuição. Estejamos seguros disso! E tal deve nos estimular a sermos melhores servos.
Assim nos é garantido em 2ª Co 5.10 (ARA93):
Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.
Jesus usa de metáfora para referir-se a coroa em relação a salvação em Ap 3.11 (ARA93): “Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa”. Isso se dá pois somente os salvos obterão a coroa (galardão). Deste modo, ao recomendar que guardemos nosso galardão, está indiretamente avisando-nos de que vigiemos para não perder a salvação e o prêmio dos salvos, a coroa (galardão). A coroa é, portanto, uma metáfora do galardão e um prêmio exclusivo aos salvos.
Hebreus 6.9,10 (ARA93) anima-nos a trabalharmos ainda mais em Cristo, sabendo que nEle nosso trabalho não é em vão:
Quanto a vós outros, todavia, ó amados, estamos persuadidos das coisas que são melhores e pertencentes à salvação, ainda que falamos desta maneira. Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos.
Tenha esta confiança, seremos galardoados; não porque fizemos para recebê-lo, mas porque o fizemos para Deus. Não o saiba a tua mão direita o que faz a esquerda (Mt 6.2-4). Quem nos galardoa é Deus.
Portanto, quando e onde o Tribunal de Cristo ocorrerá?
A fim de respondermos a essa pergunta, analisemos os seguintes textos:
E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras. (Ap 22.12 – ARA93)
Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória. (1ª Pe 5.4 – ARA93)
Dos textos aprendemos que: (1) o galardão é uma retribuição a cada um por suas obras (Ap 22.12); (2) o galardão está com Cristo e ele o trará consigo quando vier (Ap 22.12; 1ª Pe 5.4). Logo, a pergunta que surge, e cuja resposta também resolverá as anteriores, é – quando e onde Ele virá?
Disso já tratamos anteriormente. Cristo virá no Arrebatamento da Igreja encontrá-la nos ares (1ª Ts 4.17). Faz, portanto, sentido que o Tribunal de Cristo ocorra ainda nos ares, logo antes de entrarmos nas Bodas do Cordeiro.
4. É seguido pelas Bodas do Cordeiro, um período no céu em que a Igreja celebra sua união com o Cordeiro, Cristo Jesus (Jo 14.1-3; Ap 19.6-9; Mt 22.1-14).
Aqui temos uma parte, frequentemente, negligenciada da escatologia bíblica – as Bodas do Cordeiro. Não é possível falar do Arrebatamento ou da própria escatologia sem mencioná-la e dar-lhe destaque, pois trata-se do ápice da celebração do encontro de Cristo e Sua noiva. É o exato oposto do que os incrédulos receberão durante os sete anos da Tribulação.
Temos um vislumbre do que vem antes das bodas em João 14.1-3, onde Cristo faz referência ao noivado entre Cristo e a Igreja. Sabemos que, nos tempos bíblicos, “uma vez feito o arranjo para o casamento, havia um noivado mais exigente do que os noivados na sociedade contemporânea” (GOWER, 20124). “O compromisso do noivado só podia ser dissolvido por uma transação legal (na verdade um divórcio) e a base para tal cancelamento era o adultério (veja Dt 22.24; Mateus 5.32; Mateus 19.9; Mateus 1.18-25)” (GOWER, 2012). Aqui cabe ressaltar que, embora a tradução da obra de Gower utilize o termo “adultério”, o correto seria infidelidade ou impureza (porneia, e não moicheia, no original grego).
Um dado interessante é que “o noivado durava cerca de 12 meses, durante os quais a casa era preparada pelo noivo [uma clara referência a isso é vista em Jo 14.3 – E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também] e o enxoval preparado pela noiva. A família da noiva fazia os preparativos para a festa do casamento” (GOWER, 2012).
Outra referência a isso é vista em Provérbios 24.27 (ARA93): "Cuida dos teus negócios lá fora, apronta a lavoura no campo e, depois, edifica a tua casa".
Logo, escatologicamente, vivemos o período do noivado com Cristo, o noivo foi preparar a casa, nesse ínterim, a noiva (a Igreja) aguarda seu retorno.
Passaremos a Mateus 22.1-14 (ARA93):
De novo, entrou Jesus a falar por parábolas, dizendo-lhes: O reino dos céus é semelhante a um rei que celebrou as bodas de seu filho. Então, enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas; mas estes não quiseram vir. Enviou ainda outros servos, com esta ordem: Dizei aos convidados: Eis que já preparei o meu banquete; os meus bois e cevados já foram abatidos, e tudo está pronto; vinde para as bodas. Eles, porém, não se importaram e se foram, um para o seu campo, outro para o seu negócio; e os outros, agarrando os servos, os maltrataram e mataram. O rei ficou irado e, enviando as suas tropas, exterminou aqueles assassinos e lhes incendiou a cidade. Então, disse aos seus servos: Está pronta a festa, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, para as encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas a quantos encontrardes. E, saindo aqueles servos pelas estradas, reuniram todos os que encontraram, maus e bons; e a sala do banquete ficou repleta de convidados. Entrando, porém, o rei para ver os que estavam à mesa, notou ali um homem que não trazia veste nupcial e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? E ele emudeceu. Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.
Mais uma vez vemos Cristo utilizando o recurso das parábolas para ensinar uma verdade espiritual, na verdade, várias delas. O primeiro ponto, e não casualmente, trata-se de utilizar um casamento, as bodas, para ilustrar a união de Cristo e de seu povo. Isso mantém o padrão que observamos na Escritura desde o Antigo Testamento, por exemplo, em Oséias 2.1-5 (ARA93 – grifo acrescido):
Chamai a vosso irmão Meu-Povo e a vossa irmã, Favor. Repreendei vossa mãe, repreendei-a, porque ela não é minha mulher, e eu não sou seu marido, para que ela afaste as suas prostituições de sua presença e os seus adultérios de entre os seus seios; para que eu não a deixe despida, e a ponha como no dia em que nasceu, e a torne semelhante a um deserto, e a faça como terra seca, e a mate à sede, e não me compadeça de seus filhos, porque são filhos de prostituições. Pois sua mãe se prostituiu; aquela que os concebeu houve-se torpemente, porque diz: Irei atrás de meus amantes, que me dão o meu pão e a minha água, a minha lã e o meu linho, o meu óleo e as minhas bebidas.
Vemos muitos outros textos onde isso ocorre:
Porque o teu Criador é o teu marido; o Senhor dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; ele é chamado o Deus de toda a terra. (Is 54.5 – ARA93)
Disse mais o Senhor nos dias do rei Josias: Viste o que fez a pérfida Israel? Foi a todo monte alto e debaixo de toda árvore frondosa e se deu ali a toda prostituição. (Jr 3.6 – ARA93)
Esses são apenas alguns exemplos. Usar a figura do casamento para representar a relação com seu povo continua a ser utilizada no novo testamento:
Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito. (…) Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja. (Ef 5.25-27,31,32 – ARA93)
Porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo. (2ª Co 11.2 – ARA93)
Todos os textos anteriores, sobre Deus como marido e seu povo como Sua esposa, são sombra da união que se dará nos céus a partir das Bodas do Cordeiro, em Apocalipse 19.6-9. Logo, importa conhecê-la (ARA93):
Então, ouvi uma como voz de numerosa multidão, como de muitas águas e como de fortes trovões, dizendo: Aleluia! Pois reina o Senhor, nosso Deus, o Todo-Poderoso. Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos. Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E acrescentou: São estas as verdadeiras palavras de Deus.
A festa de casamento – bodas – dos tempos bíblicos possuía duração de 7 dias, uma semana (CONDE, 19835):
Respondeu Labão: Não se faz assim em nossa terra, dar-se a mais nova antes da primogênita. Decorrida a semana desta, dar-te-emos também a outra, pelo trabalho de mais sete anos que ainda me servirás. (Gn 29.26,27 – ARA93 – grifo acrescido)
E:
Disse-lhes, pois, Sansão: Dar-vos-ei um enigma a decifrar; se, nos sete dias das bodas, mo declarardes e descobrirdes, dar-vos-ei trinta camisas e trinta vestes festivais. (Jz 14.12 – ARA93 – grifo acrescido)
A semana de anos das Bodas do Cordeiro será a mesma da Tribulação. Enquanto estivermos com Cristo em Suas Bodas, o mundo estará sob a ira de Deus. Teremos sido livrados da ira pelo Arrebatamento ao mesmo tempo em que estaremos a celebrar o ápice de nossa fé, nossa união espiritual com Cristo. Uma absolutamente perfeita correlação temporal e de propósito: de um lado, os descrentes sob a ira de Deus atravessam 7 anos da maior angústia já vivida sobre a Terra; de outro, o povo de Deus, desde Adão até o último crente, celebram – não apenas seu livramento da ira de Deus – mas sua união espiritual com Cristo.
No que tange à Igreja, estará a celebrar sua união com Cristo nos próximos sete anos. Nossa visão, portanto, volta-se aos eventos desencadeados na Terra. Sobre eles nos debruçaremos nos próximos capítulos.
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1 BERGSTÉN, Eurico. Coleção Ensino Teológico – Teologia Sistemática: escatologia, a doutrina das últimas coisas. Rio de Janeiro: CPAD, 1981. v.9, pt.3. p.16-17.
2 MACARTHUR JR., John. A Segunda Vinda. Rio de Janeiro: CPAD, 2008. 1.ed. p.85-86.
3 Paulo escreveu Efésios em torno de 60 d.C.; portanto, antes da Grande Diáspora judaica através da destruição da Judéia pelos romanos em 70 d.C. Atualmente, não há mais uma cultura judaica real. O pseudojudaismo étnico e/ou religioso atuais são esboços gnósticos sem conexão real com a cultura e religião judaicas do primeiro século.
4 GOWER, Rauph. Novo Manual dos Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos. Rio de Janeiro: CPAD, 2012. 2.ed. p. 61-67.
5 CONDE, Emílio. Tesouro de Conhecimentos Bíblicos. Rio de Janeiro: CPAD, 1983. 2.ed. p. 139.




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