Nossa Esperança: 3. Império do Anticristo
- Gile
- 18 de out. de 2025
- 17 min de leitura
Atualizado: 7 de dez. de 2025

Após analisarmos os eventos associados à Igreja nos últimos dias, vamos nos voltar aos acontecimentos ligados a este mundo e o mal que nele jaz. Principiando pelo último império humano antes do estabelecimento do reino milenar de Cristo, daremos seguimento a nosso estudo.
A respeito do último império maligno devemos conhecer:
Quem são seus personagens principais;
Do que ele é constituído e sua dimensão espiritual;
Como ocorre sua ascensão;
Como o Anticristo assumirá seu controle;
Quais lições podemos tirar de seu estudo.
Sobre o Império maligno do anticristo, sabemos que:
O último império do mundo não inicia sob o governo do anticristo, mas sob dez reis em corregência (Dn 7.7,23,24; Ap 17.12,13). Estes, após o anticristo tomar o lugar de três deles (Dn 7.8,24), governarão o mundo, por breve tempo, em aliança com o anticristo (Dn 7.24; Ap 6.2);
Após curto período, cederão seu poder ao anticristo, que governará sobre eles por aproximadamente sete anos (Ap 6.2; Ap 17.12,13) – um período comumente chamado de Tribulação; em contraste aos últimos 3 anos e meio, conhecido como A Grande Tribulação (Mt 24.21).
Iniciemos, portanto, pelo texto de Daniel 7.1-8,15-28 (ARA93 – grifo acrescido):
No primeiro ano de Belsazar, rei da Babilônia, teve Daniel um sonho e visões ante seus olhos, quando estava no seu leito; escreveu logo o sonho e relatou a suma de todas as coisas. Falou Daniel e disse: Eu estava olhando, durante a minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu agitavam o mar Grande. Quatro animais, grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar. O primeiro era como leão e tinha asas de águia; enquanto eu olhava, foram-lhe arrancadas as asas, foi levantado da terra e posto em dois pés, como homem; e lhe foi dada mente de homem. Continuei olhando, e eis aqui o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou sobre um dos seus lados; na boca, entre os dentes, trazia três costelas; e lhe diziam: Levanta-te, devora muita carne. Depois disto, continuei olhando, e eis aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinha nas costas quatro asas de ave; tinha também este animal quatro cabeças, e foi-lhe dado domínio. Depois disto, eu continuava olhando nas visões da noite, e eis aqui o quarto animal, terrível, espantoso e sobremodo forte, o qual tinha grandes dentes de ferro; ele devorava, e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele e tinha dez chifres.
Estando eu a observar os chifres, eis que entre eles subiu outro pequeno, diante do qual três dos primeiros chifres foram arrancados; e eis que neste chifre havia olhos, como os de homem, e uma boca que falava com insolência.
(...) Quanto a mim, Daniel, o meu espírito foi alarmado dentro de mim, e as visões da minha cabeça me perturbaram. Cheguei-me a um dos que estavam perto e lhe pedi a verdade acerca de tudo isto. Assim, ele me disse e me fez saber a interpretação das coisas: Estes grandes animais, que são quatro, são quatro reis que se levantarão da terra. Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão para todo o sempre, de eternidade em eternidade. Então, tive desejo de conhecer a verdade a respeito do quarto animal, que era diferente de todos os outros, muito terrível, cujos dentes eram de ferro, cujas unhas eram de bronze, que devorava, fazia em pedaços e pisava aos pés o que sobejava; e também a respeito dos dez chifres que tinha na cabeça e do outro que subiu, diante do qual caíram três, daquele chifre que tinha olhos e uma boca que falava com insolência e parecia mais robusto do que os seus companheiros. Eu olhava e eis que este chifre fazia guerra contra os santos e prevalecia contra eles, até que veio o Ancião de Dias e fez justiça aos santos do Altíssimo; e veio o tempo em que os santos possuíram o reino.
Então, ele disse: O quarto animal será um quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços. Os dez chifres correspondem a dez reis que se levantarão daquele mesmo reino; e, depois deles, se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis. Proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo e cuidará em mudar os tempos e a lei; e os santos lhe serão entregues nas mãos, por um tempo, dois tempos e metade de um tempo [grande tribulação]. Mas, depois, se assentará o tribunal para lhe tirar o domínio, para o destruir e o consumir até ao fim. O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão. Aqui, terminou o assunto. Quanto a mim, Daniel, os meus pensamentos muito me perturbaram, e o meu rosto se empalideceu; mas guardei estas coisas no coração.
Vamos contextualizar e analisar o trecho citado.
Iniciemos pelo contexto histórico da visão. Daniel nos diz que sua visão ocorreu durante o primeiro ano do reinado de Belsazar sobre a Babilônia. Belsazar foi corregente no governo da Babilônia ao lado de seu pai – Nabonido, que era filho de Nabucodonosor. Isso significa que Belsazar era neto deste. Como Nabonido passava grande parte do tempo longe da capital neobabilônica em campanhas militares, Belsazar governava o Império Neobabilônico, sendo seu rei de facto e de jure.
Foi neste período que houve o episódio da escrita na parede e a queda da Babilônia ante a Pérsia (Daniel 5.1-31).
A história secular afirma que Belsazar iniciou seu governo em 553 a.C., foi neste ano que Daniel teve a visão. Estamos falando, portanto, de uma profecia de 2578 anos (na data em que escrevo)!
É interessante que tenha sido revelado a Daniel os reinos que haveriam de dominar o mundo ao longo da história. E isso ocorreu mais de uma vez a ele. Ainda sob o reinado de Nabucodonosor, avô de Belsazar, Daniel obteve de Deus a revelação do sonho do rei, entendendo-o como a manifestação da história que haveria de ocorrer. Refiro-me ao sonho da estátua de Nabucodonosor (Dn 2.1-49).
Nesta outra visão, também foi-lhe revelado os reinos que se sucederiam como os mais poderosos do mundo. Iniciando pelo neobabilônico, seguido pelo persa, greco-macedônico (tão rapidamente ascendendo quanto durou) e romano. Devemos, entretanto, acrescentar que os dez dedos da estátua (o último império) representam tanto o império romano quanto o do anticristo. Assim ocorre pois ao império romano não houve "uma pedra [...] cortada sem auxílio de mãos, [que] feriu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmiuçou" (Dn 2.34). Isso se refere à destruição do anticristo e seu império na Batalha do Armagedom (Ap 19.11-21). O império romano, no entanto, foi destruído por sua própria corrupção e imoralidade. Isso é o que chamamos de "profecia de duplo cumprimento". Aplica-se ao Império Romano e ao do anticristo.
É importante recordar o contexto de imoralidade na Babilônia imperial no período da visão revelada a Daniel.
Agora, voltando ao texto de Daniel 7, analisaremos o significado dos símbolos contidos nele, quais sejam:
1. "Os quatro ventos do céu agitavam o mar Grande".
A expressão “quatro ventos” representa uma ação global, vinda de todas as direções da Terra (norte, sul, leste e oeste). Os quatro ventos simbolizam movimentos divinamente permitidos. E são uma representação visível de forças espirituais agindo nos reinos que se sucedem no mundo. Neste caso, forças espirituais malignas, que são permitidas por Deus. Ele as julgará, bem como os seres humanos associados a elas, no momento oportuno.
O “mar grande” possui dupla aplicação, tanto ao Mediterrâneo quanto às nações do mundo. O Mar Mediterrâneo esteve envolvido no desenrolar da história antiga. Todos os grandes reinos descritos por Daniel estavam em seu entorno. De Nabucodonosor (que marchou em suas costas), passando pelos Persas (que tentaram obter seu controle), até os greco-macedônicos (banhados por suas águas) e os romanos (que, de igual modo, estavam em seu entorno) – todos estiveram envolvidos com o Mediterrâneo.
Com esse quadro mental podemos entender que as forças malignas influenciam os governos dos reinos ao longo da história, isso é representado na própria simbologia do “mar grande”, pois este representa as nações do mundo, os povos da terra. Estão estes sob governos malignos, em rebelião a Deus e Sua Palavra. E, por conseguinte, seus súditos fiéis também o estão.
2. “Quatro animais, grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar”.
Os quatro animais, grandes e diferentes e que subiam do mar, representam quatro impérios que se sucederiam ao longo da história. Eles sobem do mar pois estão relacionados ao mar Mediterrâneo de modo geográfico e/ou estratégico. Além disso, eles sobem do mar pois surgem desde a humanidade ("mar" também pode simbolizar muitos povos ou a humanidade) e destacam-se em poder dentre ela. Portanto, elevam-se desde o mar (humanidade) e sobre ele (os povos da terra) (“subiam do mar”).
3. “O primeiro era como leão e tinha asas de águia; enquanto eu olhava, foram-lhe arrancadas as asas, foi levantado da terra e posto em dois pés, como homem; e lhe foi dada mente de homem”.
O leão é um conhecido símbolo associado ao Império Neobabilônico, a cabeça de ouro da visão de Nabucodonosor (Dn 2.32,38). E este é a personificação do Império Neobabilônico. As asas de uma águia sugerem a rapidez com que o império sob seu governo expandiu-se. Ele “perde suas asas”, pois age com arrogância e acaba pastando entre as feras do campo até que se torne humilde (Dn 4).
Assim, a visão representa a personificação do império neobabilônico em seu mais importante imperador; e a perda de suas asas, a lição dada a este por sua arrogância, bem como a decadência da Babilônia no período pós-Nabucodonosor.
4. "O segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou sobre um dos seus lados; na boca, entre os dentes, trazia três costelas; e lhe diziam: Levanta-te, devora muita carne".
O urso é certamente a Medo-pérsia (Império Aquemênida), que venceu o Neobabilônico, tornando-se o mais poderoso de seu tempo.
O urso "se levantou sobre um dos seus lados" pois a Pérsia dominava sobre a Média, era mais poderosa do que esta.
As três costelas em sua boca representam suas três conquistas mais importantes: Lídia (546 a.C.), Babilônia (539 a.C.) e Egito (525 a.C.). Em Dn 8.3,4 temos outra revelação dada a Daniel, também sobre o Império Medo-Persa. Nesta vemos como o carneiro (Império Medo-Persa) dá “marradas” (golpes de cabeça usando seus chifres) para o ocidente (Lídia), norte (Babilônia) e o sul (Egito).
5. “E eis aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinha nas costas quatro asas de ave; tinha também este animal quatro cabeças, e foi-lhe dado domínio”.
O leopardo, animal veloz, tendo asas representa o Império Greco-Macedônico e a velocidade com que obteve suas conquistas. As quatro cabeças representam os quatro reinos em que foi dividido entre seus generais após a morte de Alexandre III: Lisímaco (Trácia e Bitínia), Cassandro (Grécia e Macedônia), Seleuco (Babilônia e Síria) e Ptolomeu (Palestina, Egito e Arábia).
Agora, veja como a descrição do anticristo e seu reino, feita em Ap 13.1,2 (ARA93 – grifo acrescido), assemelha-se aos animais vistos na revelação apresentada em Daniel 7:
Vi emergir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças e, sobre os chifres, dez diademas e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia. A besta que vi era semelhante a leopardo, com pés como de urso e boca como de leão. E deu-lhe o dragão o seu poder, o seu trono e grande autoridade.
Isso simboliza como o anticristo mantém as características malignas de todos esses impérios perversos. São todos agentes de satanás e buscam opor-se a Deus. O mundo inteiro jaz no maligno (1ª Jo 5.19).
6. “O quarto animal, terrível, espantoso e sobremodo forte, o qual tinha grandes dentes de ferro; ele devorava, e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele e tinha dez chifres”.
A quarta parte da estátua vista por Nabucodonosor – o quarto reino – são os pés (Dn 2.33), os quais normalmente possuem dez dedos. O quarto animal da visão de Daniel, na Babilônia governada pelo neto de Nabucodonosor, possuía dez chifres. Duas visões representando o mesmo evento. E as características das porções da estátua e dos animais são correlatas. Ambas visões são profecias de duplo cumprimento pois não se aplicam de forma perfeita ao império humano a que se referem, o Romano.
O Império Romano foi certamente “terrível, espantoso e sobremodo forte”. Possuiu “dentes de ferro” no sentido que venceu todos em seu caminho, ao menos durante seu apogeu.
No entanto, ele não possui dez imperadores nem de modo concomitante nem ao longo de sua história. Aqui, as relações desvanecem. Os dez governantes também aparecem na visão da estátua dada a Nabucodonosor. São os mesmos reis, pois trata-se da mesma revelação em simbologia distinta. Esta também se aplica ao Império Romano parcialmente. E, igualmente, ao Império do anticristo. Este não vem imediatamente após o Greco-Macedônico [embora, na linha do tempo geral, venha sim após o império macedônico], este é o Romano. Contudo, é constituída de dez reis e é destruído por uma pedra (que é Cristo) que "foi cortada sem auxílio de mãos", a qual "feriu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmiuçou" (Dn 2.34). "Sem ajuda de mãos" (Dn 2.34) significa que não é um ato humano, mas divino. Apenas Deus pode destruir o último império, o do anticristo. E Ele o fará na batalha do Armagedom (Ap 19.11-21).
OS DEZ REIS E O IMPÉRIO DO ANTICRISTO
Os dez chifres da visão de Dn 7, e igualmente os dez dedos da visão de Dn 2, são “dez reis que se levantarão daquele mesmo reino [o do anticristo]; e, depois deles, se levantará outro [o anticristo], o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis” (Dn 7.24).
O reino do anticristo surge com dez reis, dos quais três cairão pela ação do próprio anticristo, ele os derruba para assumir seus lugares. O reino passa a ser governado não por dez reis, mas sete reis mais o anticristo. Mas isso dura pouco (Ap 17.12), pois os sete reis logo entregam seu poder ao anticristo para que governe sobre todos (Ap 17.13).
Com esse quadro mental, podemos analisar Apocalipse 17.8-14 (ARA93 – grifo acrescido) e compreender seu significado:
A besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá. Aqui está o sentido, que tem sabedoria: as sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis, dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco. E a besta, que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição. Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora. Têm estes um só pensamento e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem. Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele.
A chave para entender esta besta é compreender que as cabeças referem-se a impérios e os chifres a reis.
No texto, somos informados de que a besta “era e não é, mas aparecerá”. Da mesma forma que o próprio anticristo expressará características de líderes passados de impérios que dominaram em suas respectivas épocas, o império do próprio anticristo levará consigo pontos marcantes de impérios anteriores.
Por isso o império dele “era [referindo-se às características de impérios que já passaram, como o neababilônico, persa, greco-macedônico] e não é [pois, quando João escreveu o livro de Apocalipse, o império do anticristo não havia chegado ainda, como ainda em nosso tempo não chegou], mas aparecerá [referindo-se ao fato de que esse império é para o futuro em relação ao período em que Apocalipse está sendo escrito, i.e., 95 d.C.]”.
Aprendemos do texto que “as sete cabeças (…) são também sete reis, dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou”. Os sete reis aqui são personalizações dos impérios que governaram; uma figura de linguagem metonímica, portanto. Tendo como ponto de referência 95 d.C., quando João escreveu Apocalipse, os cinco que já haviam caído são Egito, Assíria, Neobabilônia, Medo-pérsia, Greco-macedônia. A cabeça que existe refere-se ao Império Romano. E “o outro [rei-império] [que] ainda não chegou” é certamente o último dos impérios malignos sobre a Terra, o Império do anticristo.
Sobre este último império, a sétima cabeça, é-nos dito que: “quando chegar, tem de durar pouco”.
Isso está de acordo com a duração revelada na Escritura sobre este império, cerca de sete anos, o que para a duração de um império é muito pouco. Há uma mensagem contida aqui, os governos malignos humanos são efêmeros do ponto de vista da humanidade. Isso é um consolo a todos os crentes oprimidos por esses governos diabólicos.
Além disso, ficamos sabendo que: “a besta, que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição”. Isso confirma o que dissemos anteriormente, que os sete reis aqui são personalizações dos impérios que governaram; uma figura de linguagem metonímica. Portanto, a sétima cabeça representa o império do anticristo e também o próprio anticristo, os quais caminham para a destruição.
Já sobre os chifres, lemos que: “Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora”. Os dez chifres representam dez reis, os quais governam com o anticristo durante um período muito curto de tempo simbólico de 1 hora. Entendendo que o governo do anticristo dura uma semana de anos (i.e., sete anos), uma hora pode representar, de fato, algo como algumas poucas semanas ou meses.
Apocalipse nos diz mais:
“Têm estes um só pensamento e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem. Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele”.
Estão estes reis, portanto, mancomunados com o anticristo a fim de cumprir os intentos malignos deste.
O ANTICRISTO
Além de Apocalipse 17, vemos uma descrição do império e também do próprio anticristo em Apocalipse 13.1-9 (ARA93 – grifo acrescido):
Vi emergir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças e, sobre os chifres, dez diademas e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia. A besta que vi era semelhante a leopardo, com pés como de urso e boca como de leão. E deu-lhe o dragão o seu poder, o seu trono e grande autoridade. Então, vi uma de suas cabeças como golpeada de morte, mas essa ferida mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou, seguindo a besta; e adoraram o dragão porque deu a sua autoridade à besta; também adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem pode pelejar contra ela? Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias e autoridade para agir quarenta e dois meses; e abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para lhe difamar o nome e difamar o tabernáculo, a saber, os que habitam no céu. Foi-lhe dado, também, que pelejasse contra os santos e os vencesse. Deu-se-lhe ainda autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação; e adorá-lo-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo. Se alguém tem ouvidos, ouça.
A descrição acima refere-se tanto ao anticristo, a besta que emerge do mar, quanto ao seu próprio império. E aparece no capítulo 13, pois – apesar do anticristo já estar governando há 3 anos e meio – o capítulo 13 marca o fim do Princípio das Dores e o início da Grande Tribulação. Aqui há uma mudança importante, pois agora o anticristo se revela como o que é, um totalitário possesso e megalomaníaco, que exige ser adorado em lugar de Deus. Muitas dessas características, portanto, manifestam-se apenas nos últimos 3 anos e meio de seu governo. O capítulo 13 de Apocalipse marca uma virada de chave tanto no império quanto na manifestação do próprio anticristo, além de ser o momento em que surge o falso profeta (a besta que emerge da terra).
O império e o anticristo acabam por confundir-se, uma vez que um império acaba por carregar as características de seu próprio imperador.
Mais uma vez vemos a figura de uma besta que possui sete cabeças, pois o império do anticristo tem em si as características de todos os principais reinos malignos que dominaram a Terra ao longo da história – Egito, Assíria, Neobabilônia, Pérsia, Macedônia e Roma – e é também a sétima cabeça.
O império do anticristo guarda, de algum modo, semelhança com todos os principais impérios malignos do mundo – “semelhante a leopardo” [greco-macedônico], “com pés como de urso” [medo-persa] “e boca de leão” [romano].
O texto ainda nos diz de onde procede o poder e a autoridade desse império: "[d]o dragão" (Ap 13.2), que é a antiga serpente, o diabo (Ap 12.9). E mais, o mundo inteiro praticará satanismo nos últimos dias, pois adorará abertamente tanto o diabo quanto o anticristo (Ap 13.4). Contudo, o culto aberto ao anticristo e ao diabo será limitado a 42 meses, 3 anos e meio. Isso se dá porque, embora o governo do anticristo seja de 7 anos, o culto a este ocorrerá apenas na Grande Tribulação, os últimos 42 meses (3 anos e meio).
Durante quase todo o período de sete anos, a religião mundial da Babilônia (a grande meretriz de Apocalipse 17) será a regra na Terra. Nos últimos 3 anos e meio, a Babilônia religiosa e o culto pessoal ao anticristo (por meio da imagem da besta e de sua marca) ocorrerão em paralelo. Falaremos mais a respeito desta mais adiante, após abordarmos o Princípio das Dores, os primeiros 3 anos e meio de governo do anticristo.
O anticristo também blasfemará contra Deus e os servos Deste, os quais a Escritura afirma serem o único verdadeiro tabernáculo de Deus. E pelejará contra os santos e os vencerá (Ap 13.7).
Paulo nos ensina sobre o caráter do homem da iniquidade, o anticristo, em 2ª Tessalonicenses 2.1-12:
Irmãos, no que diz respeito à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, nós vos exortamos a que não vos demovais da vossa mente, com facilidade, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como se procedesse de nós, supondo tenha chegado o Dia do Senhor. Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus. Não vos recordais de que, ainda convosco, eu costumava dizer-vos estas coisas? E, agora, sabeis o que o detém, para que ele seja revelado somente em ocasião própria. Com efeito, o mistério da iniquidade já opera e aguarda somente que seja afastado aquele que agora o detém; então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda. Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos. É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça.
Paulo inicia o texto tranqüilizando os crentes de Tessalônica, “não vos demovais da vossa mente, com facilidade, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como se procedesse de nós, supondo tenha chegado o Dia do Senhor” (v.2).Aparentemente haviam boatos de que o dia do Senhor já havia ocorrido ou estava em andamento. Paulo desmente tal falácia.
A seguir, passa a ensinar o que precede o Dia do Senhor: “isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus” (vv. 3,4).
O Dia do Senhor aqui parece ser não o período de sete anos da Tribulação; mas especificamente o julgamento de Jerusalém e a batalha do Armagedom, da mesma forma que vemos em Zacarias 14.1-7,12-15. A expressão “Dia do Senhor” pode significar ambas as coisas, aqui claramente representa a segunda. Paulo descreve o que deve ocorrer antes que Cristo vença o anticristo e passe a governar sobre toda a terra: apostasia, revelação do homem da iniqüidade (anticristo), filho da perdição assentar-se no “santuário de Deus” como se fosse o próprio Deus (exigindo adoração).
A partir do verso 7, Paulo pormenoriza o caráter do anticristo. Os próprios termos utilizados, “homem da iniqüidade” (v. 3) e “filho da perdição” (v. 3), já nos dizem muito sobre ele. O fato de assentar-se no “santuário de Deus” exigindo adoração também o demonstra. Ele será alguém sem escrúpulos, capaz de qualquer coisa para chegar e manter o poder. Pensará sobre si mais do que convém. Crerá ser uma divindade e exigirá que os outros também o vejam dessa forma.
Fará tudo por meio de poder satânico, será detentor de grande habilidade maligna de convencimento, a qual usará para enganar as pessoas e convencê-las a segui-lo, adorá-lo como Deus e se voltarem contra o único verdadeiro Deus (“segundo a eficácia de satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira” – v. 9).
O anticristo terá “autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação; e adorá-lo-ão todos os que habitam sobre a terra” (Ap 13.7,8). Será, portanto, um governo global. Aqueles que o seguem e o adoram terão o mesmo fim que ele (Ap 19.20), a condenação eterna (Ap 14.10,11). Só há um modo de livrar-se disso, crer em Cristo, recusar as ofertas do mundo e seguir fielmente a Deus enquanto ainda podemos fazê-lo.




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